Encontro discute visões diferentes e polêmicas sobre os transgênicos Encontro discute visões diferentes e polêmicas sobre os transgênicos
Fórum Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional trouxe dois especialistas. Resultado do debate que ocorreu sexta servirá para implantação de políticas públicas Alimentos transgênicos,... Encontro discute visões diferentes e polêmicas sobre os transgênicos
Fórum Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional trouxe dois especialistas. Resultado do debate que ocorreu sexta servirá para implantação de políticas públicas

Alimentos transgênicos, um tema polêmico e não conclusivo, é alvo de pesquisas mundiais, que tanto defendem como rejeitam a produção e o consumo. Ontem de manhã, essas questões foram discutidas durante o Fórum Municipal de Segurança Alimentar de Jaraguá do Sul, que propiciou a explanação de dois doutores agrônomos, de vertentes distintas – Rubens Onofre Nodari e Rubens Marschalek – seguido de debate.

As plantas transgênicas recebem um ou mais genes de outros seres vivos para adquirirem novas características e passam por testes de biossegurança. No Brasil, somente a soja, o milho e o algodão transgênicos são cultivados comercialmente.

Segundo o engenheiro agrônomo Roberto Nagel, integrante do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea), órgão promotor do evento, as sugestões e proposições entregues pelos participantes, ao final das discussões, servirão para fundamentar a implementação de políticas públicas. “Estamos trazendo informação para que as pessoas tomem consciência dos transgênicos e decidam o que querem para suas vidas”, resume Nagel.

O fórum, que reuniu produtores rurais, técnicos da Epagri, representantes de agroindústrias, de empresas alimentícias, nutricionistas, demais profissionais do setor da alimentação, estudantes e lideranças comunitárias, teve 208 inscritos e 180 participantes confirmados.

Balas com casca de banana

Expositoras com uma ideia inovadora e orgânica – sem o uso de transgênicos – as estudantes do 9º ano da Escola Municipal Estanislau Ayroso, Jaine Cristina de Freyn e Kayra Serena Zilse, ambas de 14 anos, há dois anos iniciaram pesquisa para produzir balas a partir da casca da banana, sob orientação do professor Jean Mary Facchini.

Elas testaram quatro receitas de balas e compararam com a bala comercial, por meio de pesquisa. O resultado da aceitação do público foi apresentado em gráfico na Avaliação Gustativa de Balas de Banana. Na bala comercial, feita a partir de 100% da polpa, a aceitação foi de 92,5% e 84,6% com a bala 100% feita com a casca As duas assumem os custos com os produtos, que vendem informalmente a R$ 12 o quilo. O projeto já foi apresentado em feiras científicas nacionais desde 2015. Agora as meninas se preparam para participar de Fórum no México, em maio de 2017.

Contra

O engenheiro agrônomo e doutor em genética Rubens Onofre Nodari, professor titular da UFSC, demonstrou preocupação com o aumento no consumo de pesticidas na produção de grãos e defendeu a adoção de avaliações mais rigorosas quanto aos parâmetros biológicos e bioquímicos dos transgênicos. Exemplificou com estudo científico realizado em roedores, que passaram a apresentar tumores malignos e deformações ao ingerirem milho transgênicos, a partir do quarto mês. “Se já causou câncer em ratos, deveria ser suspendida a produção”, defende.

Também alerta para os riscos que a produção dos produtos geneticamente modificados possam causar à biodiversidade do meio ambiente. “Produtos químicos associados aos transgênicos causam impactos à biodiversidade. Onde são usados, causam alta mortalidade, não somente das pragas”, alerta. Atualmente, países como Aústria, Noruega, Suécia, Polônia, Itália e Irlanda não aprovam transgênicos.

A favor

Favorável aos produtos geneticamente modificados, o também agrônomo e doutor em Ciências Agrárias, Rubens Marschalek, pesquisador da estação experimental da Epagri, em Itajaí, abordou que a linha transgênica é preponderante e majoritária no mundo. Questiona a eficácia da agricultura orgânica. “Se você consumir um alimento orgânico contaminado com esterco mal curtido, pode causar a morte”.

Dentre os benefícios dos transgênicos, segundo ele, em alguns produtos, não é preciso aplicar agrotóxicos, porque já são protegidos de pragas. Afirma que não há razão para temer os transgênicos, que estão em nossas farmácias há pelo menos 20 anos. “Mesmos nossas células, evolutivamente, tem nítidos sinais de transgenia, porque tem no citoplasma organelas (mitocôndrias), e estas tem DNA próprio”. Ainda de acordo com ele, os que fabricam produtos transgênicos, como Monsanto e Embrapa, só podem liberá-los para cultivo depois de apresentar à comissão (CTNBio).

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